Faço parte do grupo de pastores que o Senhor separou, para cumprir seus propósitos em São José dos Pinhais, Paraná. E desde que o Senhor me trouxe pra esta cidade, tenho participado de muitas reuniões, cultos em diferentes igrejas, congressos e seminários, voltados para o crescimento da espiritualidade do povo cristão e evangelismo também.
E quer saber, tenho estudado muito, a história da igreja contemporânea, não de como ela se formou, de onde ela veio baseada na teologia de quem. Mas de como ela evoluiu e cresceu de pequenos ajuntamentos de pessoas, que amavam a Deus, e verdadeiramente o serviam, para o atual modelo de mega igrejas e mega eventos religiosos.
Sei que alguns dos amados colegas de chamado e separação, não concordarão com este meu desesperado desabafo, mas gostaria que, cada um que tiver acesso a estas poucas palavras, viesse a ler e reler cada uma delas em estado de oração.
A cerca de trinta e cinco ou quarenta anos, houve uma grande virada naquilo que se prega nas igrejas, no que tange a teologia e teosofia, e aos poucos fomos passando, dos princípios bíblicos para a nossa vida, para os princípios da nossa vida para a bíblia. Percebe a sutil diferença?
Ao invés de pregarmos como Jesus pregou e ordenou que deveríamos fazer, nos dispomos a pregar a verdade simplesmente. Uma verdade relativa, onde enfatizamos a nossa filiação divina e, conseqüente direito de herança, tendo como base a relação pai e filho natural, nas leis naturais que regem essa relação, e até, por que não, nas leis civis que também regem essa relação.
Aí é que a coisa saiu do eixo que deveria estar. Por que todas as leis que regem a relação pai e filho, sejam naturais ou civis, estão hoje embasadas em relações falidas desde a muito tempo, por causa de paixões e rebeldias, de tragédias e coação, nosso relacionamento humano, perdeu toda base divina, ou seja, perdeu todo temor de Deus, sua lei e seus princípios.
Desde que, nós, os que deveriam zelar, pelo ensino ao nosso povo, ou melhor, do povo a nós confiado por Deus, decidimos ensiná-los baseados em nossas experiências e testemunhos, e permitir que a cada dia mais, a evolução natural da sociedade entre para o seio da igreja, através dos nossos filhos e daquilo que eles apreciam. Fomos reprimidos, abandonados, violentados e violados, passamos fome e frio, e decidimos que nossos filhos não teriam uma vida como esta, e para isso, nos esforçamos ao extremo, trabalhando muito para poder dar o máximo daquilo que eles “precisam” para ter uma vida digna e muito melhor da que tivemos.
Por esta vida de privação, violência e abandono não ser privilégio de ninguém, aqueles que são responsáveis pela elaboração das nossas leis civis, em muitos casos se sentiram assim, e tem o mesmo sentimento, por isso elaboram leis que cada dia mais “protegem” os seus e os nossos filhos dessas “violências”. E isso não seria de todo mal, se essas leis pudessem impedir os exageros, sem impedir também a educação e a condução dos nossos filhos no caminho certo. E pra tornar isso mais complicado ainda, a lei nos coloca a mercê de mal intencionados, que são os gatilhos que nos colocam sob o jugo dessa lei mal elaborada e mal aplicada, novamente por causa das experiências pessoais, daqueles designados para isso.
Voltemos a nós, responsáveis por conduzir o povo a nós confiados, e agora já com problemas maiores, pois como diz um irmão e amigo, dentro de cada pastor e líder existe um ser humano, sujeito a todas paixões e sentimentos, inerentes ao ser humano, como todos os outros.
Aos poucos fomos mudando a nossa pregação e ensino, por motivos nobres, humanamente falando, outros nem tanto, fomos transformando cultos de adoração e ensino em não mais que reuniões sociais, ajuntamento de pessoas que apreciam comungar umas com as outras, e mais uma vez, outras nem tanto. E por termos mudado nossa pregação e ensino, essas pessoas foram perdendo os princípios que deveriam ter em cada relacionamento. A começar pelos humanos, tais como, esposo e esposa, pai e filho, mãe e filha, membro e líder, relacionamentos estes hoje embasados em sentimentos e paixões, e até, custo e beneficio, ao invés de, no amor.
Amor este que, graças a Deus, não é sentimento, mas decisão, que é ação e não reação, independentemente do alvo dele, pois se fosse sentimento e reação jamais teríamos o sacrifício de Jesus por nós. Tomando por base a minha vida, jamais Jesus teria dado a sua vida, se o amor fosse sentimento ou reação, mas apesar de mim, ele decidiu agir para que eu pudesse ser remido e resgatado.
Ainda assim, nós, como antes Israel, simplesmente deixamos de considerar os ensinos e a vontade, daquele que nos chamou das trevas pra sua maravilhosa luz, e nos relacionamos com ele, como se fora um de nós.
Sim, palavras duras, mas verdadeiras, se levarmos em consideração que, tudo que fazemos, é participar de reuniões sociais, que chamamos de culto, onde cantamos e oramos, gritamos e batemos palmas e até falamos “em línguas estranhas”, “cheios do Espírito Santo”, e então saímos dali e voltamos pra uma vida de acordo com as nossas vontades.
O que tem me deixado mal, é que entendi, que tudo isso está ocorrendo, por que nós, que deveríamos estar conduzindo as pessoas ao relacionamento correto com Deus, temos abandonado esta responsabilidade, e ainda nos desculpamos, tentando convencer a nós mesmos, que isto é normal, que é a evolução natural das coisas, que a atitude dos nossos jovens faz parte do aprendizado natural, pelo qual todos temos de passar, enquanto a palavra nos alerta de que devemos conduzir a criança no caminho que deve andar que, devemos falar das coisas de Deus aos nossos filhos ao redor da mesa, que devemos escrevê-la nos umbrais da nossa porta, para que mesmo depois de velhos nossos filhos não se afastassem dela. Desde tempos remotos abandonamos o dever de ensinar o povo a nós confiado, os princípios básicos deste relacionamento com Deus. Outra coisa que entendi é que tudo que Deus espera de nós e do povo a nós confiado é um relacionamento embasado no amor, independente de proveitos que possam resultar disso, independente do que podemos ganhar em troca do amor, por nós, dedicado ao ser amado, tanto humano como divino.
Ainda bem que o Senhor não se intimida ou desiste dos seus propósitos, por causa daqueles que se perdem ou esmorecem durante o caminho, e sempre tem uma nova oportunidade para aqueles que estão dispostos a voltar.
E Deus tem buscado pessoas que estejam dispostas, a despeito de qualquer coisa ou qualquer preço, resgatar o que se perdeu durante este longo caminho.
Ele tem projetos que estão acima de mim e de ti, e espera que eu e tu voltemos a razão e ao caminho, precisamos nos empenhar em trazer de volta, aqueles que Deus confiou a nós, aos princípios Dele e da sua palavra, pra que haja salvação real entre esse povo. Depende de nós, amados parceiros de chamado, amados irmãos em Cristo. Está em nossas mãos a oportunidade de voltar ao inicio de tudo, aos braços do pai.
Senhor Deus, é nome de Jesus, teu filho amado, primogênito entre muitos, que eu me dirijo a Ti em oração, para clamar pela tua misericórdia e perdão a nós, a quem tu confiaste a divina comissão de ensinar o povo a guardar tudo que nos foi ensinado. Senhor que o nosso coração se volte pra Ti e pra o Teu propósito em nossas vidas. Que sejamos em tuas mãos como barro nas mãos do oleiro, inertes e sem vontade para tomarmos a forma que Tu quiseres. Pai toma-nos em Teus braços de amor, sara-nos, purifica-nos e usa-nos, da maneira que Tu quiseres. Que verdadeiramente nos disponhamos a Ti.
Amém e Amém!!!!!!!
ATITUDES
Depois de reconhecer que aos poucos fomos abandonando nossas responsabilidades, somos constrangidos pelo Espírito, a mudar nossa atitude. A retornarmos aquilo que fomos chamados por Deus, e que por inúmeros motivos abandonamos ao longo do caminho. E o nome mais correto a esta atitude é “CONVERSÃO”.
Mas como fazer essa conversão? Como voltar ao que fomos chamados a fazer? Ao caminho?
Precisamos decidir tomar uma série de atitudes, que irão aos poucos nos levando de volta, ao lugar onde tudo começou a se descaracterizar. Ao ponto, em que a primeira olhada para o lado aconteceu. E para isso teremos de contar com a magnânima misericórdia de Deus. Sim, pois, com nossas próprias forças, jamais seremos capazes de voltar, quem dirá, nos manter, onde deveríamos ter permanecido sempre.
Essas atitudes deverão ser seguidas, da decisão de voltar a viver e pregar aqueles princípios, os quais jamais poderíamos ter deixado de viver e pregar. Princípios esses que são os fundamentos, para que possamos ter uma vida Cristã, segundo aquilo que o Senhor Deus, espera de nós.
A decisão de voltar a viver e ensinar esses princípios precisa ser muito firme e perseverante, pois tudo vai conspirar contra ela, principalmente nossa carne, que vai ter de abrir mão do conforte que existe neste lugar onde chegamos, quando abandonamos nossa obrigação de cumprir o chamado.
Uma coisa que descobri, durante esse tempo em que fiz o que parecia ser o chamado, é que temos uma tendência muito forte, de aceitar aquilo que parece certo em detrimento do certo. Pois nos é muito fácil achar desculpas, e as vezes até culpar a Deus pelos nossos fracassos e até pecados.
Mas apesar disso, devemos nos voltar pra Deus novamente, pedir por sua misericórdia e buscar aos princípios que vão nos aproximar d’Ele e fazer com que sejamos alcançados novamente por Sua Graça. Pois se continuarmos neste agir, iremos para o inferno pensando que estamos fazendo o que Deus nos chamou para fazer.
Esses princípios básicos, que são:
· O Verdadeiro Culto a Deus ( Amar a Deus sobre todas as coisas)
· Honrar Pai e Mãe
· Amar o Próximo como Jesus amou
· Ser Testemunha do Evangelho de Cristo
· Buscar com todas as forças um relacionamento íntimo com Deus
Esses são pontos que deixamos de pregar e viver, buscando fazer os nossos filhos, amigos e congregados felizes, para tentar mantê-los ao nosso redor, como que sendo dependentes deles e querendo eles dependentes de nós.
Vamos falar um pouco deles:
1º Principio:
O Verdadeiro Culto a Deus
“Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão.
Não terás outros deuses diante de mim.
Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.
Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.
Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.”
Hoje, já não nos incomoda, a maneira que nos comportamos, em nossas reuniões ditas “cultos”. A maneira de nos portar durante a celebração, reflete o temor à Deus que, ao que parece, inexiste. Não há mais reverencia em nós às coisas sagradas, pois em nome da liberdade de espírito, fomos nos afastando do temor e respeito que um culto pede.
Aliás, você lembra ainda o que quer dizer a palavra “culto”? Ou o que Deus espera de nós durante um culto?
Não quero de maneira nenhuma, generalizar, nem tão pouco, fazer acepção de pessoas, por isso me incluo,usando a terceira pessoa do plural, nesta meditação. Sim ao usar “nós” estou me incluindo, na falta de reverencia e zelo durante os cultos. E sabe por quê? Por ser eu também, um dos responsáveis, a ensinar aos amados, ao povo, aquilo que realmente, deve ser ensinado.
Mas como creio que, Deus é o Deus da segunda oportunidade, percebo que é chegada a hora, de tomar posição por Deus, e passar a fazer certo aquilo para que fui chamado.
Sei que como outrora, serei amado por uns e, odiado por muitos, mas isso já não importa, pois quem vive hoje já não sou eu, mas é Cristo que vive em mim. E é por Cristo que quero existir.
Num culto a Deus, em nome de Jesus, devemos estar em reverencia total a Santidade que há Neles! Em atitude de oração e adoração durante o período de louvor e exaltação, e em oração e silencio durante a ministração da palavra.
No entanto, nos dedicamos a conversas paralelas, e outras atitudes, tais como observar a maneira dos outros se vestirem ou cantarem, e ainda nos reservamos o direito de comentar dentro e fora da igreja. Murmuramos, tentamos a Deus, cobiçamos o que não é nosso,invejamos o próximo, adoramos pastores, ministros de louvor,além de viver com o Nome de Deus na boca sem qualquer razão. Permitimos também que nossos filhos cometam outras praticas, que muitos ateus infiéis se envergonhariam, em nome da liberdade e do amor, a eles dedicados. Ou seja idolatramos nossos filhos também.
Isso, com certeza, não é o que Deus espera de nós, durante um culto. Pois o culto deve ser uma reunião de pessoas com o propósito único de adorar, exaltar, se humilhar e orar ao nosso Deus, o qual nos criou e é a única fonte da qual deveríamos beber, para que Ele, o nosso Deus, voltasse sobre nós a Sua face, nos perdoasse, e sarasse a nossa terra.
Com certeza, cada um que esta tomando conhecimento desta meditação, em alguma oportunidade foi incomodado pelo Espírito Santo, em relação a tudo que se vê durante um culto “Cristão”, e pensou no por que de assim ser.
Bom, sou obrigado a assumir a culpa, uma vez que fui chamado por Jesus para pregar tudo que ele nos ensinou. Isso mesmo, nunca, em minha vida teve coragem de fazer uma preleção sequer, sobre o assunto, e olha que me incomoda ver a falta de reverencia nos cultos de todas as igrejas por onde já passei, como convidado ou membro. Jamais tomei a atitude de interpelar um irmão ou pastor, para saber por que não se toma uma atitude com relação as pessoas que não estão nem aí para Deus, dentro dos nossos cultos.
Gostaria de lembrar apocalipse 3;19 que diz: “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te.”
Amados, devemos nos colocar diante de Deus, prostrados e humildemente, clamando para que Ele nos perdoe pela falta de reverencia, com que temos cultuado Seu nome. Porque se continuarmos da mesma maneira, estamos enganando a nós mesmo e dando mau testemunho ao mundo. Não esqueçamos que fomos chamados das trevas em que vivíamos para a Sua maravilhosa luz, para sermos testemunhas da Sua poderosa graça (IPe 2;9).
Sabe, sempre que me ponho a meditar sobre o propósito da criação do homem, me vem a mente como se fora um pequeno filme do momento em que, Deus toma mas mãos uma porção de barro, e molda ali o que Ele mesmo chamou de sua imagem e semelhança. Não é possível tomar nas mãos barro sem que parte desse barro fique apegado a elas, e ao se manipular com certeza praticamente toda a mão fica suja de barro. Então Deus sujou as mãos para nos moldar. Depois do homem moldado, para lhe dar parte da sua vida, a Palavra diz que, Deus soprou nem suas narinas o fôlego de vida. Vejo então, Deus tomando aquele boneco inerte nas mãos, levando-o aos lábios e soprando-lhe as narinas, e nesse momento chego a ver os lábios de Deus marcados pelo barro. Não posso esquecer que esse mesmo homem, optou por desobedecer aquele que o havia criado, preferiu acreditar que, Deus talvez tivesse medo de que ele, o homem, se tornasse igual a Ele, Deus. E mais ainda, não posso esquecer, que ainda assim, Deus decidiu dar a própria vida pelo homem.
Então quero ser ousado o suficiente e perguntar: Continuaremos nos portando dessa maneira diante do nosso Deus e Pai?
Ou tomaremos a atitude de voltar ao inicio do propósito de nossa criação, que é sermos a imagem e semelhança do nosso Criador e testemunhas da Sua Glória e Poder, e Lhe prestar o devido culto.
Deus Todo-Poderoso, nem sei que palavras usar, amado Pai, para neste momento me dirigir a Ti. Pois tudo isso tem me feito reconhecer o quão pecador, egoísta, mau e mal agradecido tenho sido toda minha vida.
Sei, pela fé, que a Tua misericórdia se renova toda manhã, o que já não sei, é se ainda não, pela minha obstinação, perdi-a em minha vida. Quero crer que não! Por isso me dirijo ao Senhor em oração, neste momento, para implorar o seu perdão, e clamar mais uma vez por sua misericórdia, para que por ela o Senhor me ajude a voltar ao propósito da criação, que é Lhe prestar adoração e culto racional. Por tudo que És, que fizeste e, sem nem pensar no que podes fazer ou me dar. Apenas Te cultuar, Te adorar e Reconhecer quem Tu és.
Amém!!!!
Pr. Pacheco em 25/02/2011